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Movimento de Festejos Populares
CONGADA
Bailado popular em que se representa a coroação de antigos reis do Congo, por meio de danças e cantos com elementos musicais originários da África e da península Ibérica. Na época colonial era encenada por escravos. Hoje, na maior parte do Brasil, a Congada se resume a uma dança-cortejo em que os participantes desfilam ao som de vários instrumentos como sanfona, pandeiros, reco-reco, etc. Outras variações retratam lutas entre reinos africanos ou entre cristãos e mouros. A Congada passou a ser organizada pela Igreja Católica, através das Irmandades do Rosário dos Homens Pretos e de São Benedito para reviver seus costumes africanos e organizar de forma hierárquica, o poder nestas ordens e festejos. A Congada é realizada, de preferência, por ocasião do Natal, da festa Nª. Sª. do Rosário e de São Benedito. Desde 2006, Dores de Campos vem se destacando no resgate da história das manifestações populares, com a Folia de Reis e a apresentação de grupos de Congadas, com o objetivo de trazer para a população jovem da cidade o conhecimento destas festas populares. Naquele ano a festa de Nª. Sª. do Rosário foi abrilhantada por grupos de Congada das cidades vizinhas Piedade do Rio Grande e Barbacena. Estes grupos fizeram uma apresentação na Igreja Matriz, no horário da missa das crianças que demonstraram grande interesse e curiosidade pela dança e por seu batuque diferente. À noite, os grupos acompanharam a procissão de N. S. do Rosário tocando e dançando e no final coroaram a imagem de Nossa Senhora com muita fé e devoção. Todos estes eventos foram realizados devido ao grande apoio do pároco da cidade, Padre Paulo. Após estas apresentações, surgiu a idéia de se formar um grupo de congada na cidade. Para tanto foi feita uma reunião, com a presença de 16 pessoas, ficando decidido que seria solicitada ajuda ao de Barbacena para orientar e ensaiar os interessados em participar do grupo de Congada de Dores de Campos. Este foi formado e inúmeros esforços são feitos para mantê-lo atuando com brilhantismo. É importante lembrar que no grupo de Barbacena há um integrante dorense, o Sr. Onofre Cecílio, mais conhecido como Honório, que muito se empenhou em formar o grupo da cidade, tornando um dos seus mais entusiasmados participantes. Recentemente, através de um ofício, foi comunicada a sua existência na sociedade dorense, como mais uma associação com o objetivo de preservar a tradição folclórica da cidade. O grupo não tem fins lucrativos e conta com mais ou menos 40 (quarenta) integrantes. A diretoria, atualmente em exercício, é assim composta:
Presidente – Onofre Cecílio Vice – Sirlei José da Silva 1ª secretária – Lucinéia Aparecida Santos 2ª secretária – Dulcinéia Ferreira André 1º tesoureiro – Geraldo Leandro dos Santos 2º secretário – Claudinei Raimundo de Andrade 1º capitão – Mário Dário de Andrade 2º capitão – José Marcos de Melo HISTÓRIA DO PRESÉPIO
A palavra presépio vem do latim praesepe ou presepium e significa estábulo, curral, ou seja, a representação do estábulo de Belém. No contexto religioso do cristianismo, o presépio representa um legítimo auto natalino relacionado intimamente à história do nascimento de Jesus. É a cena de adoração ao Menino Jesus na manjedoura de Belém. Em torno de Jesus estão Nossa Senhora, São José, alguns pastores e animais. Atribui-se a São Francisco de Assis, por volta de ano de 1223, a montagem do primeiro presépio (de palha) em uma gruta de Greccio, na Itália. Nele, São Francisco colocou bois, vacas, burro, justificando a presença destes como animais que simbolizavam os irmãos rivais Seth e Osíris (personagens da mitologia egípcia). O objetivo da inclusão deles no presépio é a reconciliação dos opostos, ratificando a concepção cristã de amor entre as pessoas, apesar das diferenças (Amai os vossos inimigos – Mateus, 5:44).
ALGUNS COSTUMES CURIOSOS SOBRE O PRESÉPIO
Para não serem profanados, existe a tradição de queimar os presépios no dia 6 de janeiro. Na região Sul, no dia 6 de janeiro, os presépios são jogados em rios e riachos. Percebe-se, desta maneira, como o fogo e a água, elementos da natureza que vêm desafiando o homem desde os primórdios da civilização, ainda exercem grande influência sobre o mesmo, sendo usados para impedir a profanação do sagrado. É após o dia 6 de janeiro, que aparecem os reis magos Baltazar, Gaspar e Melchior. Baltazar, rei da Etiópia, traz incenso aromático, símbolo da divindade de Cristo; Gaspar, rei de Tarso, traz mirra, significando que Cristo é Deus e homem e como homem irá morrer; e Melchior, rei da Arábia e da Núbia, é portador do ouro que simboliza o poder. Os primeiros presépios difundidos pelos franciscanos e dominicanos eram feitos em terracota ou madeira. Hoje, há presépios feitos em porcelana, barro, resina, madeira, bambu, palha de milho, vidro, esponja, fibras e outros materiais.
O PRESÉPIO EM DORES DE CAMPOS
Muitas famílias da cidade de Dores de Campos montam o seu presépio na ocasião do Natal, mas um, em especial, merece que a sua história seja aqui contada. É o presépio de Maria Aparecida Marciana dos Santos (Cidinha), esposa de Geraldo Eugênio dos Santos, mãe de dois filhos, Emerson (in memorian) e Alessandra e avó de Rianderson. A história foi relatada pela própria Cidinha. No início ela fazia um presépio simples usando mandioquinha, a imagem da Sagrada Família e completando com os brinquedos dos filhos. Com o tempo ela montou uma cabaninha de capim e o presépio foi tomando forma. A cada ano ela acrescentava novidades e o presépio ia se transformando. Porém, uma tragédia abateu a sua família e o presépio ficou sem ser montado durante 9 (nove) anos. Com o passar do tempo e depois de muito sofrimento e resistência ela resolveu atender ao pedido insistente de uma amiga e, depois de muita oração e choro ela se deixou guiar pela mão de Deus e voltou a montar o seu presépio. Usava, ela, imagens muito pequenas, mas as pessoas que acompanhavam a sua melhora perceberam que o gosto pela montagem do presépio poderia ser a chave fundamental para a sua recuperação e passaram a doar peças de tamanhos variados para a confecção do mesmo. Como as doações eram muitas e o espaço pequeno, surgiu a idéia de ocupar toda a sala de sua casa com o presépio, dando, ao visitante, a sensação de se estar inserido nele. Apesar de atualmente estar passando trabalho com a enfermidade de seu marido, o presépio não deixa de ser montado e a cada ano ele é renovado e ampliado com carinho. Toda a família participa da montagem, inclusive o netinho, que faz questão da visita de toda a comunidade dorense e dos visitantes da cidade. Ela abre as portas de sua casa à época do Natal, tornando-a um templo vivo. Sua fé incontestável faz as pessoas sentirem o verdadeiro sentido do Natal – “ simplicidade e amor “. A parede de sua sala já é de pedra pintada de preto para facilitar a construção do presépio. O material usado na sua confecção é, muitas vezes, buscado no mato (pedaços de pau). Ela utiliza, também, sacos de cimento vazios, papel de mantimentos, capim, grude, areia e com a ajuda do sol, o papel molhado é moldado e toma a forma desejada. A sua inspiração, segundo a mesma, vem com a ajuda de Nossa Senhora e de Jesus Cristo. A montagem do presépio apresenta uma seqüência bíblica: 1º - Anunciação do anjo Gabriel a Nossa Senhora; 2º - Maria, sabendo da gravidez de Isabel, vai visitá-la (representação de Isabel grávida); 3º - O anjo avisa, em sonho, a José sobre Herodes; 4º - Nascimento de Jesus; Outros destaques são: a Igreja do Rosário, a Matriz de Nossa Senhora das Dores, o castelo de Herodes, a cidade onde Jesus nasceu (Belém), a árvore do fruto proibido e a simulação da desobediência, a água (representada através dos poços) e o deserto (cactos), tropeiro, leiteiro, carro de boi e outras maravilhas. A sua montagem é feita em novembro e a desmontagem é depois do dia de Reis (seis de janeiro). Portanto, na época dos festejos de Natal, é importante que cada dorense reserve um momento para visitar o presépio de Cidinha e assimile todo amor e simplicidade inseridos no coração de uma pessoa.
COLABORADORAS Suzana Ap. Vale Aliane Juraci Margarida da Silva Malta Professoras de História Claudia Valeria da S. R. Néri Prof. de Língua Portuguesa
FOLIA DE REIS
A Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil no início da colonização e que ainda se mantém como das mais importantes manifestações folclóricas, em várias partes do país. Os grupos de Folia-de-Reis (também chamados Terno de Reis) dramatizam a viagem bíblica dos três reis magos a Belém. Este festejo ganhou força especialmente no século XIX e mantém-se vivo sobretudo em cidades pequenas de várias partes do país. No centro-sul do Brasil, os nobres tornam-se entidade única - o Santo Reis, cuja força investida na bandeira tem o poder de cura. Cada grupo é composto por músicos instrumentistas e cantores e, em algumas regiões, dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas do local. Seus instrumentos são, em sua maioria, de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca, além da tradicional viola caipira e da acordeom (conhecida, também, como sanfona, gaita ou pé de bode). O cortejo chega a uma casa e a bandeira é passada pelo corpo dos moradores enquanto se fazem promessas aos santos. As canções são sobre temas religiosos e o propósito da folia é o de receber presentes dos donos das casas onde visitam, para finalidades filantrópicas. Em algumas regiões as canções são por vezes ininteligíveis, devido ao caos sonoro produzido. Isto ocorre porque o ritmo ganhou contornos de origem africana com fortes batidas e com um clímax de entonação vocal, ao longo do tempo. As canções de chegada (onde o líder ou Capitão pede ao dono da casa permissão para entrar) e de despedida (onde a Folia agradece as doações e a acolhida) permanecem imutáveis. Outros versos são improvisados na hora.
FOLIA DE REIS EM DORES DE CAMPOS
Em Dores de Campos há dois grupos de Folia de Reis que têm como objetivo preservar a tradição cultural do festejo e manter viva esta manifestação significativa da devoção religiosa da comunidade local.
É necessário incentivar, conservar e aperfeiçoar os grupos na cidade, pois além de representarem um patrimônio cultural, são compostos por instrumentistas e repentistas competentes, originais e fervorosos.
A apresentação da Folia de Reis não se limita apenas aos meses de dezembro e janeiro. Ela se estende por outros meses, com os mesmos participantes, mas com bandeira e homenageados diferentes:
- 25 de dezembro a 06 de janeiro - Folia de Reis - 06 de janeiro a 20 de janeiro - Folia de São Sebastião - Março - Folia de São José - Maio/Junho - Folia do Divino Espírito Santo - Julho - Folia de São Benedito (Congada)
GRUPOS DE FOLIAS DE DORES DE CAMPOS
- Folia do João Coelho
Segundo o Sr. João Coelho, este grupo teve origem há mais ou menos 40 anos, em Mineiro, município de Carandaí. Seus atuais componentes são: João Coelho (líder) cidadão dorense, nascido em 15/10/27, Armando Lopes (sanfoneiro), Antônio Mariano (puxador), José do João do Juviano, Tiãozinho, Zeca da Brasilina, Pedrinho Urias, Geraldinho e Fernando.
O grupo sai peregrinando pelos lugarejos vizinhos, muitas vezes sem ser convidado, vai chegando e começando a cantoria. Seus instrumentos são a sanfona, a viola, violão, caixa, etc.
Os versos da cantoria são conhecidos de todos os participantes e narram a história do homenageado. Os cantos de despedida e agradecimento são improvisados na hora.
A esmola arrecada é doada para a Igreja ou para algumas famílias pobres.
O grupo possui a bandeira dos Reis Magos, de São Sebastião e do Divino Espírito Santo.
O uniforme que os seus componentes usam é uma camisa azul com gola amarela e manga branca, calça preta e boné branco. Em janeiro de 2006 eles usaram um colete branco patrocinado por alguns diretores da ACIDEC.
- Folia de Reis do Caxambu de Cima
O outro grupo de Folia de Reis de Dores de Campos é o do Caxambu de Cima. Fundado no início de 1960 teve como primeiros componentes:
Antônio da Zulmira, nascido em 13/04/45, Raimundo José da Silva nascido em 25/07/43 e seus amigos e familiares José da Zulmira, Antônio de Sales, Vicente Urias, Antônio Lopes, Moacir Torres, Clemente de Sales, Pedro Sales, e Joaquim da Zulmira.
Hoje fazem parte do grupo, os componentes acima e mais Nelson, Gerson, Neidir, Renato, José Raimundo, Helio Mira, Osnir Lopes e Geraldo Nono.
Um de seus fundadores, Antônio da Zulmira diz que o gosto pela Folia de Reis é antigo e foi incentivado por sua mãe.
Já o outro líder, Raimundo Urias, recebeu o grande incentivo dos familiares, principalmente do tio Antônio da Serra.
O grupo peregrina mais pela zona rural em lugares mais conhecidos e às vezes chegam em algumas casas sem ser convidado.
Seus instrumentos são o violão, a viola, o cavaquinho, a caixa, o pandeiro, a sanfona, o triângulo, maracá, etc. Os cantos como, a Vida de São Sebastião, a Bandeira do Divino e Os Três Reis do Oriente, são constantes e narram a história do homenageado. Já os cantos de despedida e agradecimento são improvisados.
A esmola, no início era doada à Paróquia de Nª. Sª. das Dores, mas, a partir de 2004 passou a ser destinada à construção da capela do Divino Espírito Santo, do Caxambu de Cima.
O uniforme usado pelo grupo é calça escura, chapéu de palha e camisa de malha que varia de cor e modelo de acordo com o tema. Ela possui três emblemas: a Folia de São Sebastião e dos Reis Magos no ombro direito e a do Divino Espírito Santo no ombro esquerdo.
A quantidade de enfeites da Bandeira de São Sebastião é para tampar o sofrimento do Santo.
Além da Folia de Reis, o grupo peregrina com os mesmos participantes e com a mesma devoção, mas com bandeira diferente durante várias épocas do ano.
Suzana Ap. Vale Aliane Juraci Margarida da Silva Malta Professoras de História Claudia Valeria da S. R. Néri Prof. de Língua Portuguesa
Folia de Reis do Caxambu para o Celso
No início do ano de 1960, foi criada a folia de reis do Caxambu de Cima. Nesse período o Sr. Raimundo José da Silva, junto com seus companheiros e amigos resolveram fundar a folia de reis, que tem influência histórica desde criança.
Teve como fundadores: Raimundo José da Silva, José da Zumira, Antonio de Sales, Vicente Urias, Antônio Lopes, Moacir Torres, Clemente de Sales, Pedro Sales, Joaquim da Zumira e Antônio da Zumira.
Nesse período Raimundo e todos os foliões, começaram a apresentar a folia para alguns lugares da cidade e zona rural. Os anos foram passando, o grupo foi fortalecendo e não deixaram a tradição de seus antepassados acabarem.
Atualmente fazem parte do grupo: Celso, Nelson, Gerson, José Raimundo, Renato, Neidir, Osnir, Hélio Mira, Geraldo do Nono e os demais acima.
Instrumentos musicais utilizado no grupo: sanfona, violão, viola, cavaquinho, caixa, triângulo, maracá, pandeiro etc.
A esmola, no início era doada à Paróquia de Nª. Sª. das Dores, mas, a partir de 06.01.2003, passou a ser destinada à construção de uma capela, na comunidade do Caxambu de Cima, tendo como padroeiro o Divino Espírito Santo.
Atualmente (2009) a construção da capela já se encontra bem adiantada, mas, ainda há muito que fazer, por isso os foliões continuam apresentando com o grupo na cidade, zona rural, cidades vizinhas e também em festivais de folias. |
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